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IPAq, Instituto de Pesquisas em Aquicultura e Aquariologia -  aquários de reef e marinho

Corais duros de pólipo grande (LPS) no aquário de recife

Animais

"Corais duros de pólipos grandes" é uma denominação que vem da literatura em inglês - large polyp scleratinia, que serve para diferí-los de sps - small polyp scleratinia. A denominação é bem genérica, mas serve para identificarmos com certa facilidade esses corais; têm sempre um agrupamento de pólipos ou um pólipo único de tamanho bem considerável, a partir dos 2 a 3 cm, cada pólipo.

Enquadram-se nessa denominação os corais; Elegante (Catalaphyllia jardinei), Hammerhead (Euphyllia spp), Frogspawn (Euphyllia spp), Torch (Euphyllia spp), Fox (Nemenzophyllia turbida), Bubble (Plerogyra sinuosa), Blastomussa (Blastomussa spp), Tooth (Cynarina spp), Brain (Lobophyllia spp), Open Brain ou False Brain (Lobophyllia spp), Candy Cane (Caulastrea spp), Pineapple (Favia spp), Plate (Fungia spp), Tongue (Herpolitha limax), Galaxy (Galaxea fascicularis), Goniopora (Goniopora spp), e vários outros que aparecem esporadicamente nas lojas.

Como podemos ver, constitui um grupo bastante numeroso, e posso afirmar que estão entre os corais mais normalmente vistos em aquários.

Esses corais ocorrem em sua maioria em local de águas turvas, com fundo de lodo ou não, ou mesmo parcialmente abrigados da luz direta. Curiosamente, alguns têm a capacidade de se mover, como o Tongue e o Plate. Esses corais andam pelo piso do aquário inflando e desinflando seu tecido vivo com água. Por causa disso, devemos sempre colocá-los no chão de areia, com certo espaço disponível. Essa habilidade desses animais de se moverem nos dá certa tranquilidade quanto a sua posição no aquário. Com o tempo, eles acabam escolhendo seu lugar preferido. Creio serem corais que devem ser colocados quando o aquário ainda não estiver totalmente populacionado, pois quando eles páram de andar, geralmente não o fazem de novo. Atenção apenas para substanciais mudanças no ambiente, como trocas de lâmpadas, que podem fazer com que o coral reinicie sua jornada.

A maioria, no entanto, não se move, e por isso sua introdução no aquário deve ser cuidadosamente acompanhada. Corais que não se abrem em três a quatro dias de sua colocação no aquário devem ser atentamente observados. Na verdade, se não mudarmos de lugar um coral que se apresenta todo encolhido, sem expor tecido vivo mole, podemos estar condenando-o à morte.

Movimento de água é muito importante. Alguns corais preferem maior movimentação de água, e outros menos. Bubble, Elegant, Fox, False Brain,Hammerhead e Torch preferem movimento mais calmo, de preferência intermitentemente, vindo de diversas direções. Um eventual período de calmaria é bem vindo. Outros, como Tooth, Brain, Pineapple, Galaxy, Goniopora, Plate e Tongue preferem movimento mais intenso, mas não demais. A mesma condição de alteração de direção das correntezas se aplica.

A movimentação de água, portanto, nunca deve ser muito forte para este grupo. Inclusive, nunca direcione o jato de uma bomba diretamente contra um coral, seja ele qual fôr. Isso causa uma irritação no tecido vivo, e o coral pode começar a se manter fechado para evitar a agressão. Sem expor seus pólipos, todo seu processo vital fica prejudicado.

A iluminação para esses corais também define sua qualidade de vida, portanto devemos prestar muita atenção neste aspecto.

Para os padrões da natureza, apenas iluminação artificial de HQI pode ser levada em conta. Mesmo assim, dentre todas, lâmpadas a partir de 400 watt de consumo podem fazer frente à quantidade de luz recebida por esses corais em seu ambiente natural. Isso no entanto não quer dizer quer podemos colocar qualquer coral no raso do aquário, nem que a luz azul seja dispensável. Explico; quando o coral chega na loja, ele já passou por certas condições que não o preparam para isso. O período relativamente longo de tempo entre a coleta e a introdução em seu novo lar prejudica seu metabolismo, e portanto sua capacidade de absorção de luz e respiração estão bem atrapalhadas nesse momento.

A luz azul é bem importante para replicarmos uma condição de menor intensidade de luz que ocorre no mar antes do período de luz mais forte. Corais recém chegados devem ser colocados em local de iluminação não muito forte, pois seu processo de respiração se normaliza apenas em uns dois ou três dias. A partir de então, ele é capaz de iniciar novamente seu processo de consumo do açúcar que a zooxanthellae que ele abriga produz por fotossíntese. Nesse meio tempo, o coral está consumindo reservas. Como seu metabolismo é lento, podem se passar vários dias até que ele as consuma. O tempo de adaptação pode ser relativamente longo, mas normalmente não passa de duas semanas. O coral estará então apto a receber mais luz. O aquarista pode iniciar o deslocamento do coral para seu local definitivo. Apenas uma ressalva; se o coral em questão for escolhido para um local muito alto no aquário, perto da superfície e portanto da luz, procure fazer sua mudança para o local definitivo em duas ou três etapas de uma a duas semanas cada uma. No curso de um mês, geralmente o coral já pode estar em seu local escolhido, se tudo correr bem.

Alguns corais, no entanto, se adaptam muito rápido, e isso implica em que logo se abrem, para expor seus pólipos. Em alguns casos, quando o coral se expande totalmente, pode ocupar 20 vezes o espaço de seu esqueleto calcáreo ( ! ), portanto devemos reservar bastante espaço em volta deles. Corais se tocando constantemente pode resultar em ferimentos sérios. Às vezes nenhum deles ganha a parada, pois todos os envolvidos saem machucados. Quanto mais cheio de animais um aquário, maior o risco disso ocorrer, e maior a possibilidade de tragédia. Bem antes disso ocorrer, devemos considerar a aquisição do coral (ah, é só mais um !). A síndrome do "só mais um" já nos atacou a todos, com certeza, e ela pode ser fatal. A retirada de um coral para a colocação de um outro, ou planos para a confecção de um aquário maior são as opções saudáveis.
Não se esqueça; corais crescem. Parece bobagem, mas já ví aquários relativamente jovens onde todo o espaço disponível é ocupado por corais. Em condições normais, o coral cresce, e rápido. Para onde poderá crescem, se tudo está ocupado à sua volta ? Além disso, é muito mais bonito e com aspecto natural um aquário onde se encontrem corais em menor número, saudáveis e crescendo.

A adaptação do coral é portanto bastante complicada, e para nos assegurarmos de levar para casa um animal em boas condições, devemos sempre comprar apenas corais que estejam demonstrando saúde, sem partes faltanto ou soltando do esqueleto, que estejam bem abertos e com coloração intensa. Um animal que saia da loja saudável tem chances obviamente maiores. Alguns aquaristas, ávidos por novidades, se acostumaram a levar para seus aquários animais ainda no saco em que vieram do exterior. Isso é perigosíssimo. Além de não saber com certeza como está o animal (mesmo com toda minha prática, ainda hoje me assombro com corais que parecem estar bem quando o tiro da caixa, mas morrem em poucas horas, e outros, que parecem péssimos e se recuperam milagrosamente), o coral pode levar para o aquário agentes patogênicos altamente infecciosos. Para os corais aquí relacionados, um banho de água doce de 2 a 3 minutos, com Chloranfenicol (250 Mg por litro de água) funciona muito bem como último recurso para salvar um animal que esteja perdendo tecido vivo. Nenhum lojista honesto se incomodará de reservar um ou mais corais em suas baterias por algum período, até que eles se normalizem e possa-se observar se estão em boas condições.

Adaptar corais à condição da água de seu aquário também é recomendável. Pegue o coral com a água do saco em que veio, e coloque-o num recipiente. Faça com que a água do aquário pingue lentamente para dentro do recipiente, durante um período que pode se estender por umas duas horas. Quando o volume da água "nova" superar em dois terços o volume de água com que o coral veio, passe-o para o aquário. Dessa maneira, o choque que o coral sofre por essa mudança é trazido a um mínimo.

Vários desses corais ingerem alimento. Bubble, cérebros, Hammer, e outros, aceitam comida de tempos em tempos. Artêmia enriquecida em vitamina é considerada uma iguaria. Apenas preste atenção para o seguinte; corais têm seu metabolismo ditado pela temperatura da água. Isso quer dizer que possuem uma capacidade limitada de absorver alimento. Como seu metabolismo é bem lento, alimentar corais mais do que duas vezes em uma semana, com doses pequenas de alimento, pode ser prejudicial.

Como vemos, aquarismo é paciência.

Paciência para esperar o processo de equilíbrio do aquário, na aquisição dos corais de que mais gostamos, de sua adaptação, etc, etc. Mas esses cuidados e paciência são valorosamente recompensados. Última nota; todo aquário, quando montado satisfatoriamente, funciona. Não há necessidade de colocar uma donzela para verificar isso. Após a introdução de peixes, geralmente ficamos doidos para saber se os invertebrados irão bem. Garanto a todos, que nas condições acima, eles irão, e muito bem. Tenha paciência. Compre apenas o que mais lhe agrada. Não se desespere em ver o aquário entupido de bichos em dois meses.


Nota: Artigo de Ricardo Miozzo publicado com autorização

Postado em Terça, Março 16 @ 22:25:17 BRT por Gustavo_Duarte




 
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